SMPL Advocacia

STF retoma julgamento sobre violações de direitos da população negra

Ministros dão sequência à análise da ADPF 973, que pede o reconhecimento de um estado de coisas inconstitucional e a criação de políticas estruturais contra o racismo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (27) o julgamento da ADPF 973, ação que questiona violações sistemáticas de direitos da população negra no Brasil e pede a adoção de medidas estruturais de combate ao racismo institucional. A análise ocorre ao vivo no plenário da Corte, com a expectativa de apresentação dos votos dos demais ministros ao longo do dia.

A ação foi apresentada por sete partidos (PT, PSOL, PSB, PCdoB, Rede, PDT e PV), que apontam que ações e omissões do Estado brasileiro produzem graves violações dos direitos à vida, saúde, segurança e alimentação da população negra. Entre os pedidos está a elaboração de um Plano Nacional de Enfrentamento ao Racismo Institucional.

Votos já apresentados

Na sessão anterior, o relator ministro Luiz Fux votou pela parcial procedência da ação, reconhecendo a existência de um estado de coisas inconstitucional, marcado pelo racismo estrutural e pela insuficiência das políticas públicas vigentes — como o Planapir, criado em 2009.

Fux destacou que a Corte, ao julgar processos estruturais, deve atuar como indutora de transformações, exigindo respostas coordenadas entre os Poderes. O ministro propôs duas medidas centrais:

reconhecimento formal do estado de coisas inconstitucional;

determinação para que o Executivo, em até 12 meses, revise o Planapir ou crie um novo plano nacional, com metas, prazos e monitoramento contínuo.

Ele também sugeriu que o CNJ acompanhe o cumprimento das ações por meio do Observatório de Direitos Humanos.

O ministro Flávio Dino acompanhou integralmente o relator, reforçando que o racismo estrutural já é reconhecido pelo STF e citando episódios recentes que demonstram sua gravidade, como a entrada de policiais armados em uma escola devido a referências à cultura afro-brasileira.

Dino defendeu que decisões estruturais do STF devem vir acompanhadas de mecanismos de acompanhamento, metas e ações práticas, incluindo campanhas públicas, formação de profissionais, incentivo cultural e monitoramento de programas federais de igualdade racial.

O que está em jogo

A decisão do STF poderá:

estabelecer oficialmente que o Brasil vive um estado de coisas inconstitucional relacionado ao racismo;

obrigar o governo federal a criar um plano nacional antirracista, com ações de combate à violência, políticas reparatórias, revisão de processos de cotas e protocolos de atendimento;

exigir monitoramento permanente e políticas de longo prazo para enfrentar desigualdades históricas.

O julgamento prossegue com os votos dos demais ministros.

Processo: ADPF 973 

Outras Notícias & Artigos

Ministro Luis Felipe Salomão participa de audiência no Senado sobre a reforma do Código Civil

Audiência pública discute o anteprojeto de atualização do Código Civil elaborado por comissão de juristas presidida pelo vice-presidente do STJ

Porta Aberta para o Crescimento: O Essencial para Vencer Licitações Públicas

Para Fornecer ao Governo, Sua Empresa Precisa de Preparo e Domínio da Nova Lei 14.133/2021

Direito Trabalhista: conheça os principais pontos e garanta seus direitos

Entenda como a legislação protege o trabalhador do momento da contratação até a rescisão do contratob

Atraso na entrega do imóvel: o que diz o STJ e como o comprador pode garantir seus direitos

Tribunal reforça a proteção do consumidor e estabelece critérios para indenizações e multas em casos de atraso na entrega de imóveis

Lula sanciona lei que garante novos direitos aos clientes de bancos

Nova legislação cria um “código de defesa do usuário de serviços financeiros”, assegurando portabilidade automática de salário, transparência nas operações e crédito com juros reduzidos.